Um terremoto ocorrido na Europa há exatos 117 anos mudou a compreensão científica sobre a estrutura interna da Terra ao revelar a existência de uma fronteira oculta sob nossos pés.
Explorar as profundezas do nosso planeta é um enorme desafio para a ciência. Enquanto espaçonaves já cruzaram as fronteiras do Sistema Solar, a perfuração mais profunda feita pelo homem atingiu apenas pouco mais de 12 km de profundidade na crosta.
Como não é possível alcançar diretamente as regiões mais profundas, grande parte do conhecimento sobre o interior da Terra depende de métodos indiretos. Entre eles, a análise das ondas sísmicas permite investigar estruturas localizadas a dezenas, centenas e até milhares de quilômetros abaixo da superfície.
O interior do planeta pode ser comparado à estrutura de um ovo cozido. A casca fina representa a crosta, a clara equivale ao denso manto e a gema corresponde ao núcleo, localizado a mais de seis mil quilômetros da superfície.
Análise do terremoto revelou diferença de densidade entre crosta e manto
Ao estudar um terremoto ocorrido em 8 de outubro de 1909 na região do vale do rio Kupa, nos Bálcãs, próximo à atual Croácia, o cientista croata Andrija Mohorovičić notou algo curioso. As ondas provocadas pelo tremor aceleravam de forma repentina ao atingirem uma determinada profundidade no subsolo.
Essa aceleração inesperada marcou a descoberta da fronteira entre a crosta terrestre e o manto.
