A combinação entre a demanda interna aquecida, a expectativa de retomada das compras chinesas e a oferta restrita de animais para abate ajuda a explicar a valorização do boi gordo no Brasil. Em São Paulo, o Indicador Cepea/Esalq atingiu um novo recorde nominal, fechando a R$ 376,10 por arroba.
Em entrevista ao programa Mercado & Companhia, nesta quinta-feira (8), o analista de bovinocultura de corte do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), Tiago Baraio, explicou que, apesar das incertezas envolvendo o mercado chinês, a demanda brasileira continua absorvendo os preços mais elevados da carne bovina.
Segundo ele, o consumo doméstico, responsável pela maior parte da produção nacional, tem sido fundamental para sustentar as cotações, mesmo diante de um cenário econômico desafiador.
A valorização também é observada no atacado. De acordo com o especialista, os preços da carcaça casada bovina atingiram níveis recordes, acompanhando o movimento de alta do boi gordo.
China começa a negociar compras para 2027
No mercado internacional, a China também influencia as expectativas do setor pecuário brasileiro.
Segundo Baraio, desde o final de setembro os compradores chineses começaram a sinalizar interesse em negociações para garantir o abastecimento no início de 2027, quando haverá a renovação da cota de importação de carne bovina.
