Em 2002, quatro pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais colocaram pequenas placas diante de duas fendas por onde passavam partículas de luz. Cada placa deixava uma marca diferente no fóton, conforme a fenda atravessada. Com as marcas, um desenho de faixas claras e escuras desapareceu. Depois, os cientistas encontraram uma maneira de vê-lo novamente.
É o tipo de experiência que costuma render um título tentador: “A realidade só existe quando alguém olha para ela”. Mas ninguém precisou olhar para os fótons para que o desenho mudasse. Ninguém voltou no tempo para recuperá-lo. O que estava em jogo era a possibilidade física de distinguir os caminhos. E essa diferença diz muito sobre o que significa “observar” no mundo quântico.
Um desenho feito de pontos
Imagine uma barreira com duas fendas estreitas. Atrás dela, um detector registra a chegada de partículas. Enviamos elétrons ou fótons um de cada vez. Cada detecção produz um ponto. Depois de muitos lançamentos, os pontos formam faixas alternadas, com regiões onde chegam muitas partículas e outras onde quase nenhuma aparece. Em 2013, pesquisadores mostraram esse desenho surgindo gradualmente com elétrons enviados através de uma dupla fenda controlável.
Se fossem bolinhas lançadas por duas aberturas, esperaríamos apenas a soma de dois desenhos: o produzido pela fenda da esquerda e o produzido pela da direita.
A realidade existe antes de ser observada? Físico explica
