O Instituto-Geral de Perícias (IGP) do Rio Grande do Sul criou um núcleo dedicado exclusivamente aos casos de feminicídio. A nova estrutura, chamada Núcleo de Perícias em Feminicídio (NUPEFEM), terá profissionais atuando em Porto Alegre e no interior e deverá mudar a forma como as evidências desses crimes são examinadas pela perícia oficial.
A criação ocorre em um ano marcado pelo registro de 60 feminicídios no Estado. De acordo com o IGP, a iniciativa é pioneira no país e busca levar em consideração, durante o trabalho pericial, características que diferenciam esse tipo de crime de outros homicídios.
Na prática, os peritos passarão a contar com diretrizes específicas para examinar os locais onde ocorreram feminicídios. A intenção é estabelecer uma metodologia comum para localizar, registrar, interpretar, recolher e preservar os vestígios encontrados nas cenas.
O trabalho não ficará restrito à procura de evidências que possam ligar um suspeito ao local. A perícia também deverá buscar informações que ajudem a entender como a violência aconteceu e o que havia antes do crime.
Isso inclui possíveis sinais de um histórico de agressões contra a vítima, como violência psicológica ou simbólica, além de outros elementos que possam ajudar a reconstruir a relação e as circunstâncias que antecederam o feminicídio. Até mesmo indícios de maus-tratos contra animais poderão ser considerados durante a análise, quando tiverem relação com o caso.
