O futuro da política fiscal brasileira será um desafio inevitável para o próximo governo, independentemente do resultado das eleições. É o que avalia Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime, que destaca a piora das contas públicas como um problema estrutural que precisará ser enfrentado com urgência.
Segundo Kawauti, a deterioração das contas públicas pode ser observada com clareza na trajetória da relação dívida/PIB, que vem crescendo desde 2022.
“A gente vê uma piora das contas públicas que acaba gerando inclusive problemas para o consumidor final, para o brasileiro, que acaba pagando juros muito mais altos por conta disso”, afirmou a economista.
Apesar da gravidade do cenário, Kawauti aponta que as candidaturas ainda não apresentaram propostas práticas e detalhadas para o enfrentamento do problema.
“O diagnóstico está feito, o fiscal no Brasil é muito ruim, mas o remédio para resolver esse problema não está muito claro”, disse. Para ela, o ideal seria que os candidatos apresentassem algum tipo de cronograma ou agenda com medidas concretas antes do segundo turno.
“O que a gente tem visto por enquanto são propostas mais vagas do que de fato de implicações práticas”, acrescentou.
A economista ressalta que o ajuste fiscal deverá envolver não apenas revisões nas regras de limite de gastos, como as do arcabouço fiscal, mas também reformas nas linhas de despesas.
