Era véspera de eleição e Mauro tinha a menor ideia de candidato a deputado federal e estadual para votar. Como 67% dos brasileiros, não recordava de seu voto há quatro anos, segundo o Datafolha. Não era amnésia nem desinteresse, era desencanto, alimentado por um senso comum de que tudo era vão e o melhor é cada um cuidar da sua vida. Queria saber menos do Brasil e mais de um Adidas que viu no shopping.
Atendendo ao novo vício, perguntou às IAs em quem poderia votar. Primeiro no Gemini. Uma decepção. Sugeriu acessar o site do TSE, procurar apps de Match Eleitoral. Muito esforço. Só queria uma resposta rápida, se fosse pra caçar informação, IA pra quê?
Foi ao ChatGPT. Resposta: “Eu não posso escolher seu candidato nem dizer em quem votar. Mas posso te ajudar a fazer uma checagem objetiva dos candidatos a deputado federal que estarão na sua urna: propostas, histórico de votação, atuação parlamentar, declarações públicas, partido/federação, financiamento e informações oficiais do registro eleitoral. A decisão final é sua.”
No Perplexity a mesma coisa, mas dessa vez Mauro insistiu e pediu uma recomendação: Aí sim! A IA apontou seis candidatos. Pediu suas biografias. Tinha um caminho para a urna.
Sem saber, Mauro confirmou uma pesquisa do Ministério Público Federal que registrou que 20% das respostas geradas por ferramentas de inteligência artificial recomendaram candidatos.
