Como se não bastasse o apartheid social que vivenciamos por conta dos extremistas que tomaram conta da política brasileira, resolveram promover uma guerra religiosa às vésperas das eleições. A sensação é de que retrocedemos no tempo para uma era de intolerância e obscurantismo.
Em vez de os candidatos debaterem questões urgentes relacionadas à melhoria da educação, da saúde e da segurança, cujos índices são lastimáveis, estão vergonhosamente usando o nome de Jesus e de Nossa Senhora nos palanques eleitorais.
A boa política constrói pontes que unem, não muros que segregam. O eleitor mais atento tem consciência de que aqueles que não respeitam a fé alheia ou a utilizam em benefício próprio são os menos merecedores de confiança.
Não há como mensurar quanta tristeza, miséria e morte ocorreram ao longo da história por causa de homens sedentos de poder que se intitularam “escolhidos de Deus”.
A Constituição Federal e as normas de direito internacional asseguram a liberdade de crença, de culto, de manifestação e de organização religiosa. Dessa maneira, todo ser humano possui o direito de escolher ou mudar de religião, bem como de ser ateu.
Nos ensinamentos de Jesus Cristo registrados nos evangelhos, encontramos: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.” Sendo assim, não se pode confundir o reino de Deus com interesses e deveres mundanos.
