O avanço de um dos fenômenos El Niño mais fortes desde 1950 pode expor mais de 30 milhões de crianças e adolescentes brasileiros a dois ou mais riscos climáticos. A estimativa consta em uma análise do Unicef, que defende ações antecipadas para reduzir os efeitos sobre serviços essenciais.
Como a trajetória do fenômeno pode ser prevista com meses de antecedência, o órgão argumenta que agir antes permite responder mais rapidamente e reduzir os impactos sobre a infância.
Os gargalos nos serviços essenciais
Secas, calor extremo, incêndios florestais, chuvas intensas e inundações podem atingir diferentes áreas ao mesmo tempo. Entre os principais efeitos apontados pelo Unicef estão:
Saúde: calor e variações de umidade podem aumentar o risco de desidratação e favorecer a proliferação do mosquito Aedes aegypti;
Alimentação: perdas agrícolas, redução da renda e aumento dos preços podem ampliar a insegurança alimentar e a má nutrição;
Água: secas reduzem a disponibilidade de água segura, enquanto enchentes podem contaminar fontes e danificar sistemas de saneamento;
Educação: fumaça, calor extremo, falta de água, perda de navegabilidade e danos à infraestrutura podem interromper aulas e outros serviços escolares;
Proteção e renda: perdas de moradia, trabalho ou produção podem reduzir a capacidade das famílias de garantir necessidades básicas.
Os efeitos podem se espalhar de um serviço para outro.
