Quando os primeiros membros da realeza do Egito Antigo foram encontrados sepultados em tumbas grandiosas, acompanhados por centenas de seus cortesãos, arqueólogos não souberam explicar o porquê. Afinal, enterrar servos junto aos governantes não era comum no Egito Antigo: a prática parece ter se restringido ao período da Primeira Dinastia (por volta de 3100 a.C. a 2900 a.C.) e desaparecido pouco depois.
Agora, porém, eles podem finalmente ter descoberto o motivo para a companhia. De acordo com um estudo publicado na revista Frontiers in Environmental Archaeology, esses servos teriam sido sacrificados justamente para servir seus governantes pela eternidade - na vida após a morte.
Os sepultamentos dos servos ocorreram em Umm el-Qaab, uma necrópole em Abidos, cidade antiga do Egito. O local é conhecido por abrigar as tumbas de três membros da Primeira Dinastia egípcia: o rei Djer, faraó que governou por volta de 3000 a.C.; seu sucessor, o rei Djet; e Meretneith, uma mulher que provavelmente governou o Egito.
No início do século 20, o egiptólogo Flinders Petrie já tinha escavado a área e encontrado centenas de sepultamentos simples (um contraste com a pompa dos faraós) nas proximidades das tumbas reais. Ele acreditava que ali estavam pessoas que não pertenciam à realeza, como membros da comitiva e outros indivíduos a serviço do rei.
