O excedente de geração de energia no Brasil e as dificuldades de abastecimento para novos data centers nos Estados Unidos podem abrir uma oportunidade para o país processar dados de clientes estrangeiros e exportar serviços digitais. A avaliação é de Ricardo Alário, CEO da Odata, que defende o aproveitamento dessa combinação para ampliar a participação brasileira no mercado internacional, impulsionado principalmente pelo avanço da inteligência artificial.
Em entrevista ao Alta Voltagem, da CNN, o executivo apresentou a oportunidade de ampliar a infraestrutura de processamento, hoje voltada principalmente ao atendimento de consumidores locais, para receber também a demanda de outros países.
“Vamos colocar data centers que vão processar dados e exportar para o resto do mundo. É isso que o Redata veio acelerar em um mercado que já vinha em forte crescimento”, disse.
O Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter), sancionado em setembro, prevê incentivos fiscais para investimentos na instalação, modernização e ampliação desses empreendimentos no Brasil.
A aposta de Alário ocorre em um mercado ainda concentrado nos Estados Unidos. Levantamento da Synergy Research Group, divulgado em agosto pela TechInsights, mostra que 15 dos 20 maiores mercados de data centers de grande escala estavam no país no primeiro trimestre de 2026.
