Napoleão, o pequeno (Diário de Notícias, 6/8/1950)
Não sei se o leitor gosta de histórias, velhas e novas, e também da História, com maiúscula, antiga e moderna. Se assim é, se quer ter uma visão total da vida e a nada do que é humano se julga alheio, talvez leia com interesse esta crônica de outra era.
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1848, “primavera dos povos”, cai o rei Luís Felipe. Nasce a segunda República francesa.
Ora, do outro lado do Canal, em Londres, mora um homem de quarenta anos, sobrinho de Napoleão, neto de Josefina, que há dezoito meses fugiu do Castelo de Ham, onde estava prisioneiro como pretendente ao trono da França, que na França tentara desembarcar. E não está desatento: a 22 de fevereiro cai Luís Felipe, a 26 Luís Napoleão está em Paris. Mas o Governo Provisório não lhe permite ficar, embora venha “sem outra ambição que não seja a de servir meu país”. E Luís Napoleão se inclina: “Pensais que minha presença é um embaraço; me afasto, pois, momentaneamente. Vereis nesse sacrifício a pureza das minhas intenções e do meu patriotismo…”
Mas na última semana de maio, quando a Câmara debatia se devia ou não manter no desterro os Bonaparte, Luís Napoleão exige que lhe reconheçam seus direitos de cidadão francês. Como excluir alguém do sufrágio universal? Os direitos de cidadão francês são reconhecidos a Luís Napoleão Bonaparte.
E logo em junho quatro departamentos, entre os quais Paris, o escolhem deputado. Mas seu momento ainda não chegou.
