Uma bactéria que causa diarreia e vômitos está se tornando mais difícil de tratar em casos transmitidos por contato sexual. A Shigella, responsável por cerca de 450 mil infecções por ano nos Estados Unidos, já apresenta cepas resistentes a vários antibióticos e passou a ser identificada com mais frequência como uma infecção sexualmente transmissível (IST).
O micro-organismo pode causar shigelose, que em alguns casos evolui para disenteria, com diarreia acompanhada de sangue. A transmissão ocorre principalmente pela ingestão da bactéria, inclusive por água ou alimentos contaminados, mas o contato sexual também se tornou uma via importante.
O problema tem sido observado principalmente entre homens gays, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens. Nessa população, algumas cepas de Shigella desenvolveram resistência a diversos antibióticos usados no tratamento.
Resistência aumentou nos EUA
Uma análise recente dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) avaliou quase 17 mil amostras de Shigella coletadas entre 2011 e 2023. Em 2011, nenhuma das amostras apresentava resistência aos cinco antibióticos avaliados. Em 2023, as cepas com resistência extensiva a medicamentos representavam 8,5% das amostras.
A maior parte dessas versões resistentes foi identificada em homens adultos. Muitos deles não haviam viajado para outros países nos meses anteriores, o que reforça a hipótese de transmissão dentro da própria comunidade.
