Quase todos os dias, durante uma parte do ano, uma nuvem de gelo aparece sobre uma das maiores montanhas do Planeta Vermelho. Em poucas horas, a estrutura se desfaz e deixa de ser visível. O fenômeno, que pode se estender por até 1.800 km, intriga a ciência há anos. Agora, simulações desenvolvidas por pesquisadores franceses apontam para uma possível explicação para a ocorrência: em vez de precisar de partículas de poeira para iniciar a formação do gelo, a água parece congelar diretamente na atmosfera marciana.
Os resultados do estudo foram detalhados em um artigo publicado nessa quarta-feira (7) na revista Nature Geoscience. Nele, os autores apontam que a AMEC (Nuvem Alongada de Arsia Mons), como a formação ficou conhecida, trata-se de um dos fenômenos atmosféricos mais incomuns já observados fora da Terra. Vale ressaltar, no entanto, que o estudo não registra o processo diretamente, ele mostra que a hipótese reproduz, nos modelos, as características observadas da nuvem.
O que se sabe sobre a nuvem
A AMEC surge nas proximidades do Arsia Mons, um vulcão extinto com cerca de 20 km de altura, localizado na região de Tharsis, ao sul do equador marciano. A nuvem é formada por gelo de água e foi identificada pela primeira vez em 2018, em imagens da sonda Mars Express, da ESA (Agência Espacial Europeia).
Desde então, observações mostraram que ela retorna durante a primavera e o verão do hemisfério sul de Marte.
Marte tem nuvem de 1800 km que surge e desaparece todos os dias. Mas por quê?
