A escritora canadense Anne Carson, 76, venceu o Prêmio Nobel de Literatura de 2026, anunciado na manhã desta quinta-feira (8), pela Academia Sueca.
Com quatro décadas de carreira, a obra da autora é conhecida por mesclar verso, prosa, diálogo e tradução em uma combinação que desafia os gêneros. Além disso, seu trabalho também carrega forte influência da literatura grega clássica.
Nascida em Toronto, no Canadá, em 1950, Anne concluiu, em 1981, seu doutorado em Estudos Clássicos com a tese batizada de “Odi et Amo Ergo Sum”. Ao longo de sua trajetória, ela uniu a poesia, a tradução e a docência universitária, tendo na etimologia das palavras o ponto de partida de toda a sua criação.
Os anos 1990 trouxeram aquela que é frequentemente considerada sua obra-prima: “Autobiography of Red: A Novel in Verse” (1998). Na obra, Carson revela sua habilidade ímpar de atualizar a tradição clássica ao dialogar com fragmentos do poeta grego Estesícoro (século VI a.C.) sobre o monstro vermelho alado Gerião, costurando-os com a sensibilidade da experiência contemporânea.
Sempre explorando com leveza os limites da escrita, Carson elevou o formato do esboço a um lugar de destaque em sua produção. Prova disso é “Float” (2016), conjunto de 22 livretos sobre temas diversos que dispensam uma ordem fixa de leitura, e “Wrong Norma” (2024), uma coletânea de textos de forte tom performático que transita livremente entre campos artísticos e acadêmicos.
