Alfredo Di Stéfano era argentino, mas, em 1962, defendia as cores da seleção da Espanha. A Fifa ainda não impedia que jogadores atuassem por equipes de outra nacionalidade. Depois de uma vitória sobre o México e de um empate contra a Tchecoslováquia, partida em que Pelé se contundiu, o Brasil precisava vencer os espanhois para chegar ao mata-mata do mundial, no Chile.
O meia Didi (1928-2001), que se estivesse vivo completaria 98 anos, queria aproveitar o duelo, ainda pela fase de grupos, para resolver uma rixa pessoal: “(…) estive para estragar tudo. Nos dois dias que precederam o jogo com a Espanha, não dormi: tinha uma forra sobre Di Stéfano, o grande atacante argentino, vinculado ao futebol espanhol. Ele me boicotou quando joguei em Madrid. Voltei humilhado. Era a chance para eu me vingar. Pensei: vou dar um baile nele. Se não conseguir, dou-lhe uma pancada. Ele nunca se esquecerá da sacanagem que fez comigo (…).”
Didi tinha jogado pelo Real Madrid e não se deu bem com Di Stéfano. O jogador argentino sonhava em enfrentar os brasileiros na Copa: “Quero jogar contra o Brasil, nem que esta seja a última partida de minha carreira. Temos que vencer de qualquer maneira e não quero continuar na ‘cerca’. Apesar de minha contusão, prefiro mil vezes jogar, em se tratando de uma partida como a de hoje, e logo contra os brasileiros“. Entretanto, Di Stéfano, contundido, não entrou em campo.
