Ah, mas que bobagem, dizem os defensores da candidatura do extremista de direita Flávio Bolsonaro à Presidência da República. E prosseguem: foi só mais uma jogada política dele para agradar ao seu eleitorado. Referem-se ao anúncio feito por Flávio de que, tão logo tome posse, irá “mudar a Constituição” para, assim, redemocratizar o país. O que significa, em suma, que não existe democracia por aqui.
Isso suscita a questão sobre o que Flávio entende por democracia. Para ele, em 1964, não houve um golpe militar, mas sim “uma revolução” para salvar a democracia do comunismo. No mais, não importa que o golpe tenha implantado uma ditadura que se estendeu por 21 anos, torturou, matou e sumiu com os corpos de muitos dos seus oponentes para, no final, fracassar e bater em retirada.
Flávio pensa a mesma coisa sobre a tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023, que resultou na condenação de seu pai a 27 anos e 3 meses de prisão. O que o Brasil assistiu pela televisão, na opinião dele, não passou de uma ação desesperada de pessoas acampadas às portas de quartéis e que, legitimamente, protestavam contra a eleição de Lula. Afinal, elas tinham o direito de expressar seu pensamento.
