O calendário eleitoral costuma ser medido por datas formais: início do horário gratuito na TV, convenções partidárias, pesquisas de intenção de voto e o dia do pleito. Contudo, para uma parcela cada vez maior da população, o ritmo do processo democrático é marcado por um ponteiro silencioso e desgastante: a oscilação dos níveis de estresse e da carga emocional.
A constante exposição a discursos inflamados, somada à incerteza sobre o futuro socioeconômico e ao fluxo ininterrupto de notificações, transformou o ambiente político em um gatilho direto para quadros de ansiedade e esgotamento psicológico.
A relação entre o ambiente de disputas públicas e o adoecimento mental vem sendo confirmada pela ciência. Estudos na área de psicologia política e comportamento social apontam que a exposição crônica a cenários percebidos como ameaçadores ou incontroláveis atua como um estressor contínuo.
O organismo reage com a liberação prolongada de cortisol e adrenalina, resultando em insônia, fadiga e prejuízos no foco cognitivo.
Em um cenário polarizado, a política deixa de ser apenas uma esfera de debate e passa a ocupar pensamentos obsessivos e a rotina diária do cidadão.
Preocupação exagerada e sinais na saúde mental
Para a psicóloga Flávia Marsola, do Hospital Brasília Águas Claras, um certo grau de preocupação com o destino do país é esperado diante da relevância das decisões em jogo. O problema surge quando a apreensão deixa de ser funcional.
