Escutar a própria voz em gravações de áudio pode ser vergonhoso, já que não temos a mesma percepção de som das outras pessoas. Mas um novo estudo aponta que características linguísticas e auditivas podem determinar a qualidade e a velocidade do envelhecimento de um indivíduo.
Publicada na revista Science Advances, a pesquisa explica o desenvolvimento de um modelo de inteligência artificial chamado relógio da fala, que, ao avaliar padrões vocais, consegue estimar o envelhecimento biológico e predizer o risco de doenças neurodegenerativas.
O estudo analisou quase 3 mil indivíduos em cinco países da América Latina, abrangendo adultos saudáveis e pessoas com comprometimento cognitivo leve, doença de Alzheimer e diferentes tipos de demência frontotemporal (pessoas que não compreendem a linguagem).
Nesses grupos, o relógio de fala investigou como a voz soa, a frequência, as pausas entre palavras, a coerência semântica e a modulação emocional.
Resultados da pesquisa
De acordo com a Trinity College Dublin, pessoas cuja fala aparenta ser mais velha do que o esperado para sua idade cronológica também apresentaram sinais de envelhecimento acelerado em diversos sistemas biológicos e clínicos, como condições financeiras, insegurança alimentar, acesso à saúde e experiências da infância.
O relógio da fala também diferenciou indivíduos saudáveis de pessoas com demência.
