Algumas moléculas podem existir em duas formas diferentes. Elas têm a mesma fórmula e até as mesmas ligações entre átomos - só que uma é a versão espelhada da outra, assim como sua mão esquerda é a versão espelhada da direita. Na química, chamamos essa propriedade de “quiralidade”.
Apesar de terem a mesma fórmula, as moléculas espelhadas podem ter funções muito diferentes entre si. Uma das versões pode ser um medicamento importante, enquanto a outra pode ser um veneno. E mais: quando os cientistas tentam produzir essas moléculas em laboratório por meio de reações químicas, via de regra, eles obtêm as duas versões.
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Isso é um problema enorme para a indústria farmacêutica, que precisa produzir apenas o remédio. Por muito tempo, pesquisadores estudaram como criar uma reação que separasse as moléculas de “mão direita” das de “mão esquerda”.
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O Prêmio Nobel de Química de 2026 vai para dois pesquisadores que desenvolveram reações químicas capazes de gerar apenas uma das versões da molécula.
O primeiro laureado é o francês Henri Kagan. Em 1986, ele descobriu uma nova maneira de manipular reações químicas, fazendo com que elas gerassem uma das versões em excesso. Essas reações ainda davam origem às duas versões da molécula, com a diferença de que uma delas vinha em maior quantidade do que a outra.
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O segundo laureado é o japonês Kenso Soai.
