Quem assumir a Presidência da República encontrará uma emergência que não pode esperar pelos primeiros cem dias de governo: o calor extremo poderá matar milhares de brasileiros nos próximos meses. Proteger essas vidas precisa ser prioridade desde a transição, e exige medidas que comecem agora.
Um novo relatório do Climate Impact Lab projeta 13.300 mortes adicionais associadas ao calor no Brasil entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027. O dado mais inquietante para quem assumirá o Planalto está dentro desse intervalo: 8 mil dessas mortes são estimadas entre dezembro e fevereiro, justamente na passagem de governo e no início do novo mandato.
O estudo calcula que o El Niño deste ano pode provocar cerca de meio milhão de mortes adicionais por calor no mundo entre junho de 2026 e fevereiro de 2027. O Brasil aparece como o país mais afetado da América do Sul. Esse balanço não abrange todas as consequências de secas, incêndios e enchentes que podem acompanhar o fenômeno. O calor, sozinho, já produz uma estimativa devastadora.
A Organização Meteorológica Mundial informa que o El Niño está estabelecido, deve ganhar força e tem probabilidade próxima de 100% de persistir até fevereiro. A intensidade prevista é muito forte. A própria organização ressalva que a força do fenômeno não determina, por si só, a dimensão dos impactos em cada região. Isso exige acompanhamento local e preparação, muita preparação.
