Outro dia eu estava em um aniversário.
Sentei ao lado do pai de uma amiga, um empreendedor com uma trajetória de muito sucesso. Eu normalmente sou o cara que fala, mas, em alguns momentos, prefiro escutar.
“Todo mundo quer ser melhor em tudo, mas eu sempre busquei a média. E hoje tenho tudo isso.”
Ele se referia à união da família ao redor daquela mesa.
“In medio stat virtus.”
A virtude está no meio.
A expressão resume uma ideia central da ética aristotélica: a virtude não está necessariamente em um dos extremos, mas na medida adequada entre o excesso e a falta.
Não é uma média matemática.
Muito menos mediocridade.
É saber encontrar a medida certa para cada situação.
Aquilo ficou na minha cabeça porque sempre vivi muito ligado à ideia de fazer mais, crescer, entregar, construir.
E gosto disso.
Nunca fui muito bom em ficar parado.
Mas comecei a pensar se realmente precisamos ser acima da média em tudo.
Na academia, por exemplo, eu sei exatamente quem sou.
Tenho dificuldade de ir, de fazer aqueles treinos longos e nunca consegui transformar academia em uma paixão.
Então fiz uma escolha.
Prefiro ir sempre e fazer pouco do que montar o treino perfeito, fazer três vezes e abandonar.
Pode não ser excelente.
Mas funciona para mim.
E isso também é autoconhecimento.
In medio stat virtus.
No tênis é diferente.
Treino há anos e não sou tão bom quanto gostaria.
Só que ali eu quero ser melhor.
Então treino bastante.
