Em meados do século XVII, o padre e escritor Richard Lassels escreveu: “Se o mundo é um grande livro, aquele que não viaja lê sempre a mesma página”. Trezentos e cinquenta anos depois, nosso desejo de viajar continua o mesmo, mas hoje esse livro parece pequeno demais para as ambições humanas.
Queremos viajar pelo espaço, conhecer outros mundos, “audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve”. Mas, se quisermos ler outros livros da biblioteca do Universo, ainda precisamos desenvolver novas tecnologias de propulsão e resolver alguns desafios relacionados à saúde humana. E, entre eles, um dos mais importantes não tem muita gravidade.
Sim… por mais divertidas que sejam as brincadeiras, os experimentos e os trocadilhos que podemos fazer com a ausência de gravidade, o organismo humano não foi preparado para viver sem ela por muito tempo. Sem a carga mecânica proporcionada pela gravidade, nossos músculos e ossos começam a perder massa, os fluidos do corpo se redistribuem e nosso sistema de equilíbrio “vai pro espaço”. Até o sistema cardiovascular passa por mudanças importantes. Os astronautas da Estação Espacial Internacional experimentam esses efeitos durante meses e também nos ajudam a desenvolver maneiras de reduzir seus impactos. Ainda assim, eles não podem ser desprezados em viagens muito mais longas.
Se conseguirmos desenvolver motores suficientemente eficientes, uma viagem a Marte poderá ser realizada em poucos meses, um período longo, mas ainda administrável.
