As eleições de 2026 deixaram um importante recado para a política brasileira: Lula continua sendo a principal força eleitoral do Nordeste, mas perdeu parte da vantagem que possuía em 2022. Não houve uma derrota do presidente na região, Lula venceu nos nove estados nordestinos, mas uma redução de sua hegemonia eleitoral. No Maranhão, essa retração foi particularmente significativa: Lula passou de 68,84% dos votos válidos em 2022 para 63,99% em 2026, uma queda de 4,85 pontos percentuais. Em números absolutos, foram 2.603.454 votos em 2022 contra 2.566.301 em 2026.
O fenômeno maranhense acompanha uma tendência regional. Lula obteve aproximadamente 21,49 milhões de votos no Nordeste em 2026, contra cerca de 21,75 milhões em 2022. A redução absoluta não foi muito grande, mas sua participação percentual caiu em todos os nove estados. Ao mesmo tempo, a direita cresceu. Flávio Bolsonaro recebeu aproximadamente 10,4 milhões de votos no Nordeste, contra 8,79 milhões obtidos por Jair Bolsonaro em 2022. Foram mais de 1,6 milhão de votos adicionais. No Maranhão, Flávio conquistou cerca de 255 mil votos a mais que seu pai quatro anos antes.
O primeiro ponto para compreender essa mudança é que 2022 foi uma eleição excepcional. Lula era candidato de oposição e enfrentava Jair Bolsonaro, então presidente. A disputa assumiu forte caráter plebiscitário. Para milhões de eleitores, votar em Lula significava também rejeitar Bolsonaro.
