Um observatório construído na Antártida rendeu a Francis Halzen o Nobel de Física de 2026, anunciado na manhã desta terça-feira (6), em Estocolmo. O físico belga idealizou o IceCube, um detector capaz de captar partículas subatômicas chamadas neutrinos - que, segundo especialistas, podem oferecer pistas sobre a evolução do universo.
Isso porque os cientistas sabem há décadas que existem aceleradores naturais de partículas, que lançam partículas pelo cosmos. A energia dessas partículas pode ser até um milhão de vezes maior do que as que podem ser alcançadas em laboratórios na Terra.
Os neutrinos são partículas fundamentais, como os elétrons. Mas eles têm algo especial: viajam em linha reta, praticamente sem mudar de direção nem perder energia. Isso significa que os neutrinos podem fornecer informações sobre a origem deles que não estariam acessíveis de nenhuma outra forma.
Antes do IceCube, detectar neutrinos era uma tarefa quase impossível. Não foi à toa que eles ganharam o nome de partículas “fantasma”: praticamente não têm massa, não apresentam carga elétrica. Ainda assim, ou melhor, justamente por isso, eles atravessam o universo sem interagir com quase nada. Sem percebermos, cerca de 100 trilhões de neutrinos passam por nós a cada segundo, pelos planetas, estrelas e até pelo corpo humano.
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Mas como detectar algo que interage com quase nada?
