Grupos políticos tradicionais sofreram derrotas expressivas nas eleições de 2026. No Maranhão, a família Sarney ficou, pela primeira vez, sem nenhum cargo eletivo, após a derrota de Roseana Sarney (MDB) na disputa pelo Senado. Em Alagoas, os Calheiros enfrentaram um duplo revés: Renan Calheiros (MDB-AL) perdeu a reeleição ao Senado após décadas no cargo, e Renan Filho (MDB) perdeu o governo do estado.
Analistas buscaram identificar, durante O Grande Debate Eleições, os fatores que explicam o cenário de desgaste das oligarquias regionais.
Voto antissistêmico como explicação central
Para Renato Dolci, cientista político e mestre em economia, a eleição revelou uma manifestação bastante ampla do eleitor numa perspectiva antissistêmica. “A gente viu o voto antissistêmico se expressar com muita clareza também em alguns recados que foram dados nas urnas”, afirmou.
Segundo ele, as famílias tradicionais se inserem nesse bloco, ao lado de outras figuras que também sofreram derrotas. Dolci fez ainda uma distinção conceitual importante: “Antissistema e antipolítica são questões diferentes para esse eleitorado.” Para ele, o eleitor não está rejeitando a política em si, mas sim as figuras consolidadas dentro do sistema.
Oligarquias se renovam, mas não desaparecem
Bruno Soller, analista e sócio do Real Time Big Data, chamou atenção para o fato de que, em alguns estados, a troca de poder não representou necessariamente o fim das famílias tradicionais.
