O francês Henri Kagan e o japonês Kenso Soai receberam, nesta quarta-feira (7), o Nobel de Química por terem resolvido um dos mistérios da vida: o porquê de, na natureza, algumas moléculas aparecerem em uma única forma, uma descoberta fundamental para o desenvolvimento de medicamentos.
“Suas descobertas desempenharam um papel determinante para os químicos que projetam reações destinadas à fabricação de produtos farmacêuticos”Comitê do Nobel em um comunicado
Assim como as mãos, algumas moléculas, chamadas quirais, podem ter versões “direita” ou “esquerda”, dependendo da forma como refletem a luz. Elas possuem propriedades físicas idênticas, mas biológicas muito diferentes.
Quase todos os aminoácidos existem em duas variantes especulares, mas apenas uma delas é encontrada nas proteínas das células do organismo. A outra aparece raramente na natureza, um fenômeno conhecido como “homoquiralidade”, explicou a Real Academia Sueca de Ciências.
Os cientistas questionam-se há muito tempo sobre como esse processo ocorre, e as descobertas dos dois ganhadores do Nobel permitiram “provocar reações químicas que levam à homoquiralidade”, apontou o júri.
Solução para um mistério
“Henri Kagan e Kenso Soai apresentaram uma solução para um mistério químico que remonta a mais de um século: como a homoquiralidade pode surgir espontaneamente. As reações químicas que eles desenvolveram são espetaculares”, afirmou Heiner Linke, presidente do Comitê Nobel de Química.
