A mudança climática expõe R$ 584,2 milhões em vendas da Natura associadas a matérias-primas da Amazônia, segundo análise feita pela própria companhia. O valor corresponde a 2,6% da receita líquida registrada em 2025. O levantamento identificou castanha-do-pará, cupuaçu e murumuru como as três cadeias de bioingredientes com maior vulnerabilidade aos efeitos do clima.
O valor, porém, não representa uma previsão de perda de R$ 584 milhões. Trata-se da receita gerada por produtos que dependem desses ingredientes e que, portanto, podem ser afetados por problemas de oferta. A companhia ainda não conseguiu transformar os diferentes cenários climáticos em uma estimativa precisa de impacto financeiro.
A Natura analisou 27 bioingredientes utilizados em sua cadeia e avaliou o comportamento das cadeias de fornecimento em diferentes cenários de aquecimento global. Para os três ingredientes mais expostos, a empresa considera o risco alto já nos próximos anos, inclusive no cenário de menor aquecimento.
Entre os fatores avaliados estão mudanças no regime de chuvas, estresse hídrico e eventos extremos, além dos efeitos associados ao fenômeno El Niño. Na prática, uma quebra ou redução da oferta pode elevar o preço dos ingredientes ou dificultar o abastecimento da indústria.
A empresa já contabiliza custos para reduzir essa exposição.
