Palestinos deslocados na Cidade de Gaza descreveram suas dificuldades nesta quarta-feira (7), três anos após o Hamas atacar Israel, desencadeando uma ofensiva militar que destruiu grande parte do enclave.
Shehada Hamad, uma palestina deslocada de Beit Hanoun, disse que os últimos três anos pareceram “um milhão de anos”.
“Esses três anos foram um inferno. Eu não vi um inferno pior nesta vida do que esses três anos. Cada dia parece um milhão de anos. Não foram três anos, foram 300 milhões de anos.”
Hamad também falou sobre a vida antes da guerra, quando, segundo ela, a família tinha uma casa, trabalho e condições básicas.
Hoje, segundo ela, os moradores dependem de cozinhas comunitárias para conseguir comida e dormem na areia.
Akram Abu Jarad, de 60 anos, que também foi deslocado de Beit Hanoun, descreveu a espera por horas, nas primeiras horas da manhã, por água.
“Os piores três anos que já passaram em nossas vidas. Não há vida, não há condições de viver, não há comida, não há necessidades básicas da vida. Esperamos por água das 5h às 10h. E estamos vivendo nas ruas, sem casa, cansados, exaustos. Nós não estamos vivendo, meu amigo, estamos mortos em Gaza.”
Os ataques de 7 de outubro, durante os quais militantes mataram 1.200 pessoas e levaram 251 reféns para Gaza, marcaram o dia mais mortal da história de Israel. Os bombardeios e as operações terrestres subsequentes de Israel mataram mais de 74 mil pessoas em Gaza, segundo as autoridades de saúde locais.
