A principal estratégia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para vencer Flávio Bolsonaro (PL) no 2º turno da eleição presidencial é incentivar mais pessoas a saírem para votar. Ocorre que as regiões nas quais houve mais abstenção de votos -e onde Lula deseja ver mais eleitores nas urnas- são exatamente os locais em que há preponderância de votos no candidato do PL sobre o petista.
Ou seja, se houver aumento do comparecimento no Sudeste, no Sul e no Centro-Oeste e prevalecer o padrão de votação do 1º turno, o candidato da oposição será o maior beneficiado.
A abstenção neste 1º turno foi a maior desde 1998 e está em trajetória ascendente desde 2006, com 33.444.876 eleitores faltantes. O número preocupa a campanha do petista, que está sendo incentivada por Lula a centrar esforços sobre esse público.
O Sudeste é um dos principais exemplos de como a tática pode ser arriscada. A região foi campeã de abstenção no 1º turno, com 22,7% de eleitores deixando de votar.
Ao todo, 15.063.212 eleitores faltaram às urnas no Sudeste no 1º turno. Esse contingente representa 45,0% de todas as abstenções do país -o maior “estoque” de votos não aproveitados no Brasil.
Na votação de domingo (4.out), Flávio superou Lula na região por 24,9 milhões a 19,2 milhões de votos, uma vantagem de 5,7 milhões para o candidato do PL.
