É difícil olhar para “Carrie” sem pensar imediatamente no filme de 1976, na atuação inesquecível de Sissy Spacek e, principalmente, na cena do baile. A história criada por Stephen King já foi adaptada algumas vezes e poderia facilmente parecer mais um remake tentando lucrar em cima de uma marca conhecida. Só que existe um nome por trás desta nova versão que muda bastante essa expectativa: Mike Flanagan.
Conhecido por transformar histórias de terror em dramas profundamente humanos, Flanagan assume a primeira adaptação do romance de King para o formato de série e decide fazer algo mais ambicioso do que simplesmente recontar a história. Em vez de correr para o momento em que Carrie perde o controle, a produção quer entender quem é essa garota antes de ela se transformar na figura que o público já conhece.
E essa escolha funciona.
Na nova versão, Summer H. Howell interpreta Carrie White, uma adolescente extremamente isolada que precisa enfrentar a morte repentina do pai, uma escola hostil e uma onda de bullying que ganha proporções ainda maiores graças às redes sociais. Sua mãe, Margaret, vivida por Samantha Sloyan, continua sendo uma das figuras mais perturbadoras da história, mas também ganha novas camadas.
É justamente aí que a assinatura de Flanagan aparece com força. O diretor não está tão interessado em mostrar apenas um monstro. Ele quer mostrar como um monstro pode nascer de anos de humilhação, solidão, abuso e rejeição.
