O consumidor brasileiro, em meio ao orçamento familiar sob pressão, adota um comportamento de compra que pesquisadores chamam de “efeito ampulheta”: de um lado, aceitam pagar mais caro por produtos específicos de alta performance, em que sentem que a qualidade é inegociável (o topo da ampulheta); do outro, buscam os itens de entrada mais baratos e marcas próprias de supermercado para suprir as necessidades mais básicas (a base da ampulheta).
Daniela Carbinato, sócia da consultoria Bain & Company, apontou à CNN Brasil, durante evento promovido pela Abihpec (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos) nesta terça-feira (6), que uma das maneiras do consumidor navegar em momento de mais aperto no orçamento familiar é, no segmento de higiene e beleza, fazer escolhas “muito intencionais” sobre quais categorias, subcategorias pagar mais caro.
“O consumidor espera performance ou tem uma relação com essa categoria mais importante, ao passo que outras categorias ele faz uma compra mais barata. E aqui é onde, por exemplo, tem aparecido o espaço para as ‘private labels’ atuarem e fazer ofertas mais em conta”, explica a pesquisadora.
O diagnóstico faz parte da série de estudos Consumer Pulse 2026, da consultoria Bain & Company, apresentado durante o Summit Inovação da Abihpec.
A pesquisa mostra que a principal fonte de estresse dos brasileiros envolve questões financeiras, com 57%.
