Os sete pecados capitais não aparecem como lista na Bíblia. Eles surgiram de uma longa elaboração da espiritualidade cristã, a partir do século 4. A formulação em sete itens vem do Papa Gregório I (c. 540-604), que a apresentou nas Moralia in Job, um comentário ao Livro de Jó.
A lista tomou a forma que conhecemos com Tomás de Aquino (c. 1225-1274), que a sistematizou na Suma Teológica e passou a tratar a soberba (e não a vanglória) como o primeiro dos vícios capitais. A tradição se difundiu depois pela pregação, pela arte e por obras como a Divina Comédia, de Dante, que organiza o Purgatório segundo esses vícios.
O que significa “capital”?
A palavra vem do latim caput, “cabeça”. Chamar um vício de capital não significa que ele seja mais grave que os outros, e sim que ele é fonte de outros pecados, como uma cabeça que conduz o corpo. Por isso é preciso não confundir pecado capital com pecado mortal: este é o que rompe a relação com Deus e exige plena consciência, matéria grave e consentimento deliberado. Um vício capital pode levar a atos mortais ou veniais (perdoáveis), conforme as circunstâncias.
Em sentido estrito, esses “pecados” são vícios, isto é, inclinações habituais da alma, e não apenas atos isolados.
