Uma espécie de “zona de perigo” invisível se estende sobre o território brasileiro. Trata-se da Anomalia Magnética do Atlântico Sul (AMAS), uma região onde o campo magnético da Terra é mais fraco. Estudos recentes revelam que a anomalia desenvolveu um segundo centro de intensidade mínima, alterando o comportamento do escudo terrestre.
Um artigo publicado recentemente no periódico Journal of Geophysical Research: Solid Earth aponta que essa divisão reflete o dinamismo das correntes de ferro líquido no núcleo externo. As variações profundas alteram as linhas de força na superfície, gerando configurações complexas que mudam com o tempo.
A presença de dois núcleos enfraquecidos amplia a zona de vulnerabilidade para satélites e missões espaciais de baixa órbita. Equipamentos eletrônicos que cruzam essas áreas enfrentam maior exposição ao fluxo de radiação cósmica, exigindo ajustes constantes em suas operações técnicas.
O monitoramento detalhado dessas configurações duplas permite antecipar oscilações no ambiente espacial. Ao compreender como esses centros evoluem, cientistas aprimoram modelos de previsão geomagnética, garantindo maior estabilidade às tecnologias de comunicação e navegação orbital expostas ao fenômeno.
Os pesquisadores destacam que a formação de múltiplos mínimos reforça o caráter não estático do geomagnetismo terrestre. Acompanhar a rotação e o deslocamento desses focos ajuda a decifrar a complexa dinâmica interna que governa a proteção invisível do planeta.
