Durante décadas, boa parte do DNA humano foi tratada como entulho evolutivo. Os trechos que não produzem proteínas ganharam até apelido: “lixo genético”. Uma nova leva de pesquisas vem desmontando esse rótulo, e a descoberta mais recente reforça que essas regiões silenciosas podem ter papel ativo na saúde e na doença.
O estudo foi divulgado por pesquisadores dentro do contexto do Encode - Encyclopedia of DNA Elements - esse projeto é uma espécie de sucessor do famoso Projeto Genoma, que sequenciou o genoma humano e concluiu seus trabalhos em 2003. A partir daí, o Encode buscou identificar quais as funções de cada elemento do DNA. O mistério surgiu quando os pesquisadores se depararam com conclusões inesperadas: praticamente 80% do nosso DNA parecia não ter função alguma - tanto é que foi até apelidado de “lixo genético”. Outros preferiram uma designação mais branda, como “Dark DNA”, numa referência à matéria escura que provavelmente compõe o Cosmos. A equipe analisou regiões repetitivas do genoma que os métodos antigos de sequenciamento simplesmente não conseguiam ler direito.
O que mudou
A virada não é apenas conceitual. É técnica. Ferramentas de sequenciamento de leitura longa permitiram enxergar trechos do genoma que ficavam como buracos nos mapas anteriores.
Vale lembrar do contexto: o Projeto Genoma Humano foi declarado concluído em 2003, mas deixou lacunas.
