Seja qual for o desfecho eleitoral, São Paulo mantém em curso uma das mais ambiciosas agendas de infraestrutura do país. Nos municípios atendidos pela Sabesp, a Lei estadual nº 17.853/2023 e o Contrato de Concessão nº 01/2024 anteciparam para 31 de dezembro de 2029 as metas de universalização do Marco Legal, incluindo áreas rurais e núcleos urbanos informais consolidados.
Fora desse universo, o UniversalizaSP busca estruturar a prestação de forma regional e mobilizar capital privado: a modelagem envolve 146 municípios e cerca de R$ 100 bilhões em investimentos e despesas operacionais ao longo de 33 anos.
A discussão sobre universalização costuma concentrar-se no montante de capital necessário. Há, porém, outra variável igualmente importante e menos visível: o tempo para transformar capital disponível em infraestrutura operacional. Entre a decisão de investir e a operação existe uma cadeia extensa de projetos, licenças, interferências, áreas, desapropriações, contratos, garantias, financiamento, obras e conexões. Cada etapa é administrável; o problema está na combinação. Grandes projetos raramente atrasam por uma única causa extraordinária. O prazo é consumido pela sucessão de pequenas dependências: uma autorização que condiciona outra, uma área não liberada, uma interferência não identificada, uma desapropriação que se judicializa.
Os grandes sistemas centralizados continuarão sendo a espinha dorsal do saneamento urbano.
