O Brasil assistiu a um resultado eleitoral que as pesquisas de intenção de voto não haviam antecipado. Para especialistas em inteligência artificial, esse cenário não representa um fracasso, mas sim uma oportunidade para repensar como a tecnologia pode contribuir com o setor de pesquisas.
Álvaro Machado, neurocientista e especialista em IA, identificou dois caminhos principais pelos quais as ferramentas podem atuar nesse campo. O primeiro envolve a modelagem de cenários e a segmentação de populações.
“As pessoas hoje em dia estão muito organizadas em nichos, o mundo está muito polarizado e isso significa que a gente tem núcleos de pessoas”, afirmou. Segundo ele, a criação de um “mapa dos humanos”, por meio de segmentação com IA, já está em andamento.
O segundo caminho, o uso da IA para calcular probabilidades de resposta e avaliar a confiabilidade das pesquisas, é considerado mais controverso.
Machado ressaltou que a pesquisa eleitoral não é, em essência, uma ferramenta de previsão. “A pesquisa é uma ferramenta de amostragem de uma população que em determinado momento está declarando um comportamento”, explicou.
Para ele, as preferências humanas não são fixas e estáveis, e muitas delas acabam sendo definidas no calor do momento, como ocorre com o chamado voto útil, que pode levar o eleitor a escolher um candidato diferente daquele que havia declarado anteriormente.
