A recente mudança na situação de Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como “Débora do Batom”, permite uma análise que ultrapassa o campo estritamente jurídico. Não porque possamos afirmar quais foram as motivações íntimas de Alexandre de Moraes, mas porque decisões de autoridades também acontecem dentro de um ambiente político, social e institucional.
E esse ambiente mudou.
Por isso, faço uma pergunta que considero legítima: Alexandre de Moraes está começando a recuar diante da nova correlação de forças produzida pelas urnas?
É uma hipótese; não uma afirmação de causalidade. Mas é uma hipótese que merece ser observada.
A direita ampliou sua força política, especialmente no Senado. Quando acrescentamos centro-direita e parlamentares independentes dispostos a discutir os limites entre os Poderes, surge uma configuração institucional potencialmente menos confortável para quem se acostumou a exercer enorme protagonismo.
Nesse ponto, a psicologia do poder oferece uma lente interessante.
Na prática clínica e no estudo do comportamento, sabemos que seres humanos não agem apenas a partir de convicções. Eles respondem também à percepção de risco, recompensa, controle e consequências.
Isso vale inclusive para indivíduos que apresentam traços acentuadamente autoritários, narcísicos ou antissociais. Não estou atribuindo qualquer diagnóstico a Moraes, diagnóstico psicológico exige avaliação individual. Estou falando de mecanismos gerais do comportamento humano.
