Abstenção e desilusão política
Razões como a desilusão política e a facilidade para justificar o voto fizeram o primeiro turno da eleição presidencial registrar o maior percentual de abstenção desde 1998.
Por trás do índice de 21,08% há uma multidão de 33.469.244 votantes que deixaram de comparecer às seções eleitorais no domingo (4).
Mesmo que uma pequena parte desse contingente resolva comparecer às urnas na segunda etapa, seria o suficiente para fazer disparar a vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) ou garantir uma virada a Luiz Inácio Lula da Silva (PT): a quantidade de ausentes é 15 vezes maior do que a diferença de votos entre os dois concorrentes - que foi de 2.224.965.
Especialistas apontam motivos variados para o crescente desinteresse dos brasileiros em determinar quem deve ser o presidente do país.
Abstenção e desilusão política…2
Desde 2006, quando o percentual de abstenção no primeiro turno recuou de 20,47% para 16,75%, esse índice tomou o sentido oposto e cresceu 4,3 pontos percentuais.
Para alguns cientistas políticos, hoje a ausência pode estar sendo utilizada pelo eleitorado como forma de expressar desencanto com a política por fatores como a excessiva polarização ideológica, as tensões envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e o escândalo do Banco Master:
Como isso resulta em uma crise sistêmica que envolve desvio de recursos, pode ter gerado um aumento desse sentimento de desencanto.
