O físico Francis Halzen desenvolveu uma nova forma de observar o Universo por meio de neutrinos, partículas quase sem massa e sem carga elétrica que atravessam a matéria com pouca interação. O trabalho foi destacado pelo Comitê Nobel no anúncio do Prêmio Nobel de Física de 2026, conquistado por Halzen.
O trabalho levou à criação do IceCube, observatório instalado no gelo do Polo Sul. A proposta de Halzen era usar o gelo da Antártida como um grande detector natural.
Quando um neutrino interage com um núcleo atômico no gelo, pode produzir partículas que emitem flashes de luz. Sensores instalados em profundidade registram esses sinais e permitem estimar a direção de onde o neutrino veio.
Os primeiros testes começaram na década de 1990. O projeto evoluiu até o IceCube, que atingiu sua configuração completa em 2011, com 5.160 sensores distribuídos por 86 cabos em cerca de 1 quilômetro cúbico de gelo.
Novos objetivos do IceCube, reconhecido pelo Nobel
Em 2013, pesquisadores anunciaram as primeiras evidências de neutrinos com origem cósmica. Anos depois, o volume de dados permitiu confirmar a descoberta. As partículas podem ajudar cientistas a identificar regiões do espaço capazes de acelerar matéria a energias muito superiores às alcançadas por aceleradores construídos na Terra.
Um dos objetivos atuais do IceCube é descobrir quais objetos celestes produzem esses neutrinos de alta energia. Entre as possíveis fontes está a galáxia ativa NGC 1068, também conhecida como M77.
