A ascensão da direita no Brasil é resultado, em parte, do enfraquecimento das organizações que historicamente mobilizavam eleitores de esquerda, segundo a socióloga política Elizabeth McKenna, em artigo de opinião publicado pelo jornal norte-americano The New York Times na 2ª feira (5.out.2026). A sindicalização, segundo McKenna, caiu quase pela metade de 2012 a 2025.
Para a autora, igrejas evangélicas e redes conservadoras ocuparam parte desse espaço e ajudaram a ampliar a base política do bolsonarismo.
McKenna é professora da Harvard Kennedy School e autora do livro “The Paradox of Participation: Organizing Authoritarianism in Democratic Brazil” (O Paradoxo da Participação: Organizando o Autoritarismo no Brasil Democrático em tradução livre). No artigo, ela afirma que o avanço da direita não pode ser explicado apenas por fatores como insatisfação econômica, mudanças culturais e polarização. Para ela, é necessário observar também como os brasileiros participam da vida política e quais organizações conseguem mobilizá-los.
McKenna atribui parte desse processo ao PT, que teria deixado de investir em organização local para concentrar esforços em eleições e na administração do governo. Na avaliação dela, o partido passou a depender cada vez mais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não teria um sucessor com a mesma capacidade de mobilização.
Ao mesmo tempo, igrejas evangélicas passaram a ocupar parte desse espaço.
