“Acho que sou muito velho para isso”, brinca Eric Cornell, 64 anos, vencedor do Prêmio Nobel de Física de 2001, ao ser questionado se usa IA (Inteligência Artificial) no seu dia a dia.
Em entrevista ao Poder360, o físico e professor da Universidade de Boulder Colorado diz estar “um pouco nervoso” com o avanço desenfreado da tecnologia, e defende que não há “nenhuma garantia” de que a IA vá mudar a sociedade moderna para melhor.
“Estou impressionado e talvez um pouco preocupado com a velocidade com que as coisas estão mudando e acho que isso terá impactos imensos. Espero que sejam bons impactos, mas não posso dizer com certeza. Diria que estou um pouco nervoso”, disse Cornell, após visita deste jornal digital ao Jila (Instituto Conjunto de Astrofísica), na cidade de Boulder, no Colorado, centro-oeste dos Estados Unidos.
Natural de Palo Alto, na Califórnia, Cornell foi laureado no prêmio mais respeitado da ciência aos 39 anos, depois de comprovar uma teoria criada em 1925 por Albert Einstein e pelo físico indiano Satyendra Nath Bose.
Juntamente com Carl E. Wieman e Wolfgang Ketterle, Cornell conseguiu criar o chamado Condensado de Bose-Einstein, um novo estado da matéria em que átomos se fundem em um “superátomo” e passam a atuar em conjunto ao serem congelados na temperatura mais fria possível do universo.
A descoberta, feita em um laboratório do Jila, no campus de Boulder, abriu caminho para cientistas do mundo inteiro avançarem em estudos do comportamento quântico.
