A federação PSOL/Rede teve quase 3 milhões de votos para a Câmara dos Deputados em São Paulo, mas conquistou apenas seis cadeiras no último domingo (4), após o primeiro turno das eleições. Já a Federação Brasil da Esperança (PT/PCdoB/PV) obteve 2,7 milhões de votos e garantiu 11 cadeiras no estado. O contraste expõe como uma federação única formada pelos partidos de esquerda em São Paulo teria a vantagem matemática de ampliar a presença do Partido Socialismo e Liberdade no Congresso.
O resultado se deve à concentração de votos em duas candidatas, Erika Hilton e Sâmia Bomfim. Como medida para evitar que candidatos com muitos votos puxassem outros com votação pouco expressiva, o TSE determinou que, para ser eleito, o político deve ter 10% do chamado quociente eleitoral. Na corrida por São Paulo, isso seria o equivalente a atingir 35 mil votos, mas apenas seis candidatos do PSOL superaram essa barreira.
“O PSOL/Rede elegeu 15 deputados, mas não cumpriu a cláusula de desempenho porque esses mandatos ficaram concentrados em seis estados. Pela outra regra, a federação precisava alcançar 1,5% dos votos em nove UFs e chegou a oito. Numa federação com PT, PCdoB e PV, esse problema simplesmente não existiria”, disse Renato Dolci, cientista político.
Especialistas alertam, entretanto, que o impacto de uma “superfederação” não pode ser medido apenas pela soma nacional de votos.
