Mais de 33 milhões de eleitores não compareceram às urnas no primeiro turno das eleições, representando uma taxa de abstenção de 21%, o maior índice registrado nos últimos 28 anos. Contudo, no Nordeste, a taxa de abstenção ficou abaixo da média nacional, com alguns estados registrando índices em torno de 15%, enquanto estados de outras regiões chegaram a 23%, 24% e até 26%.
Ao Hora H, o cientista político e mestre em economia Renato Dolci avaliou o dado, ligando a dependência da região com políticas públicas relacionadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT): “Temos, historicamente, um trabalho que os governos petistas tentam fazer para levar o eleitor para as urnas porque sabem que o eleitor, que tem uma conexão com programas sociais, acaba sendo menos impelido a votar”.
Dolci também destacou que a abstenção não deve ser tratada de forma uniforme. “A gente percebe que não dá para tratar a abstenção de maneira monolítica”, afirmou.
Segundo ele, o Brasil já apresenta historicamente uma taxa de abstenção estruturalmente elevada, e o crescimento desse índice a cada eleição é um dado preocupante.
Envelhecimento e cansaço eleitoral explicam o fenômeno
Dolci apontou dois fatores principais para o aumento das abstenções.
O primeiro é o envelhecimento da população: “No geral, a abstenção é sempre mais alta a partir da curva de idade. Quando a gente vê a curva de idade esticando, a abstenção sobe”, explicou.
