O mercado brasileiro do boi gordo entra no último trimestre de 2026 depois de um terceiro trimestre marcado por uma redução mais evidente no ritmo dos abates. O movimento foi consequência de uma combinação de fatores, envolvendo maior ociosidade da indústria frigorífica, ocupação mais baixa dos confinamentos em relação às expectativas iniciais e, principalmente, uma mudança gradual no comportamento do abate de fêmeas, com sinais mais claros de retenção.
Mesmo com essa desaceleração, é importante destacar que o volume abatido permanece em níveis historicamente elevados, depois de um ciclo bastante intenso de descarte observado nos últimos anos.
Essa mudança de comportamento ganha relevância justamente porque ocorre em um momento de transição do ciclo pecuário. Durante boa parte dos últimos anos, a elevada participação de fêmeas no abate foi determinante para sustentar uma produção expressiva de carne bovina. Agora, a menor presença dessas categorias, somada a uma ocupação menos agressiva dos confinamentos e à redução do ritmo de produção da indústria, começa a desenhar uma condição diferente para os próximos meses.
O mercado físico ainda permite à indústria trabalhar de maneira disciplinada na composição das escalas, realizando compras pontuais e evitando, sempre que possível, movimentos mais agressivos de preço. Entretanto, os fundamentos para 2027 começam a apresentar uma configuração distinta.
