Quando pensamos na Amazônia, a imagem mais imediata costuma ser a de uma imensidão de árvores. Essa visão, embora verdadeira, é incompleta. Até 30% da bacia é formada por rios, lagos, várzeas, áreas úmidas e florestas que passam parte do ano inundadas. Sob a superfície desse mundo aquático vivem mais de 2.700 espécies de peixes já registradas, cerca de 15% de todas as espécies de água doce conhecidas no planeta, e aproximadamente dois terços delas não existem em nenhum outro lugar. Ainda assim, os
Esse esquecimento não decorre de falta de importância, mas de uma dificuldade persistente de perceber o rio como um sistema vivo. Uma floresta derrubada deixa uma marca visível na paisagem, mas um rio, por outro lado, pode continuar correndo mesmo depois de perder conectividade e parte expressiva de sua biodiversidade, enquanto a qualidade da água também se deteriora. Essa aparente normalidade esconde mudanças profundas: em escala mundial, as populações monitoradas de espécies de água doce diminuíram cerca de 85% desde 1970, enquanto quase metade dos rios do planeta já sofreu algum grau de perda de conectividade. A Amazônia, no entanto, permanece como uma das últimas grandes bacias em que ainda é possível evitar esse caminho, mas a janela de oportunidade na qual ainda é possível agir não ficará aberta para sempre.
Mapa mostrando o índice de conectividade (CSI) dos principais rios do mundo.
Os peixes revelam a Amazônia que as políticas ainda não enxergam
