O primeiro turno das eleições registrou 33,4 milhões de abstenções, o equivalente a 21% do eleitorado apto, composto por cerca de 158,7 milhões de pessoas. Trata-se do maior percentual desde 1998, quando o índice atingiu 21,5%.
Em entrevista ao Live CNN desta segunda-feira (5), o cientista político e professor da FGV, Eduardo Grin, avaliou que esse cenário prejudicou especialmente a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ao detalhar o perfil de quem se absteve, Grin identificou três segmentos demográficos. O primeiro é a população idosa, especialmente acima dos 70 anos, para quem o voto não é mais obrigatório e que enfrenta dificuldades crescentes de locomoção.
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O segundo é a população de baixa renda, incluindo beneficiários do Bolsa Família, historicamente mais propensa a votar no PT, mas que nesta eleição foi penalizada pela corrosão do poder de compra pela inflação dos alimentos e pelas bets.
“Isso tudo gerou um processo de desânimo muito grande nessa parte do eleitorado que, creio eu, se traduziu em abstenção”, observou Grin.
O terceiro grupo apontado pelo especialista foi o público jovem, entre 16 e 24 anos. “A gente sempre imaginou que a juventude seria mais engajada na política, mais adepta a mudanças”, disse Grin.
