Você já percebeu que muita gente diz não aguentar mais ouvir falar de política, mas continua atualizando o celular para descobrir o que aconteceu nas últimas horas?
No domino (04), os brasileiro foram as urnas para votar no primeiro turno das eleições. Depois de meses de campanha, questionamentos sobre decisões judiciais, dúvidas sobre a confiança nas instituições e uma sequência de capítulos que ganhou outro ritmo desde os primeiros “Bom dia ” encontrados nas mensagens de Daniel Vorcaro, seria razoável imaginar que já estivéssemos prontos para dar boa noite à política.
Mesmo saturados de vídeos com cortes, acusações, respostas e respostas às respostas, parece impossível perder o último viral com fundo preto ou o novo meme dos “Intocáveis”.
O mais comum é entrar no elevador e sentir que ele travou entre dois andares quando alguém solta: “você viu que mais um pegou o Uber Black dos céus no jatinho do Vorcaro?”. A essa altura, resta responder: só eu que não recebi um Pix.
Estudos recentes ajudam a explicar essa contradição. O excesso de notícias aumenta a vontade de se afastar, desligar o celular e simplesmente parar de acompanhar. Só que esse alívio dura pouco. Quase imediatamente aparece outro gatilho: se eu não sei o que aconteceu, estou mal informado, por fora da conversa e correndo o risco de me sentir sozinho.
Essa sensação tem um nome: FOMO, fear of missing out que representa o receio de ficar por fora e ter a sensação de estar excluído.
