A conquista do bicampeonato mundial pela seleção, em 1962, no Chile, sempre foi considerada uma “mera continuidade” do título de 1958. Dos onze jogadores que estiveram na decisão contra a Suécia, quatro anos antes, oito participaram da final em Santiago, contra a Tchecoslováquia. Entretanto, essa avaliação é equivocada. A conquista da segunda Copa pelo Brasil foi totalmente diferente.
A equipe, comandada por Aymoré Moreira, quase ficou fora da segunda fase. O drama de Pelé, machucado na segunda partida, abalou o grupo. Pode parecer heresia, mas jogadores como Didi e Vavá não estavam bem. No entanto, a seleção superou as dificuldades com muita raça e vitalidade e foi melhorando ao longo do torneio.
Amarildo, substituto de Pelé, virou o jogo contra a Espanha e classificou a seleção para o mata-mata. Na segunda fase, o time subiu de produção, venceu bem os adversários e se consolidou como o melhor da Copa. Para fechar, precisamos dizer o seguinte: o Garrincha de 1962 foi muito maior do que o Garrincha de 1958. Não é exagero dizer que Mané jogou por ele e por Pelé: fez gol de cabeça e até de pé esquerdo. É uma conquista que precisa ser mais lembrada e reverenciada.
