A LOGINK, plataforma chinesa criada para integrar dados de transporte e logística, perdeu espaço fora do país após anos de expansão. Parcerias foram interrompidas, o sistema deixou uma associação do setor e a empresa responsável pelo centro em Wenzhou passou a enfrentar processos judiciais.
A mudança ocorreu enquanto os Estados Unidos pressionavam contra o uso internacional da ferramenta, que autoridades americanas consideravam um possível risco para a segurança dos dados do comércio global.
De projeto local a aposta internacional
A LOGINK surgiu há cerca de duas décadas na província de Zhejiang para reunir informações de portos, caminhões e fornecedores em uma única plataforma. O projeto ganhou apoio em Pequim e passou ao controle do Ministério dos Transportes chinês.
A expansão internacional começou em 2010, com um acordo de compartilhamento de dados envolvendo China, Japão e Coreia do Sul. Mais tarde, a LOGINK fechou uma parceria com uma plataforma de Hong Kong que, segundo a própria empresa chinesa, daria acesso a mais de 90% dos dados globais de rastreamento de navios.
O crescimento chamou a atenção de Washington. Em 2022, parlamentares americanos passaram a pressionar contra a plataforma. Entre as preocupações estava a possibilidade de acesso a informações comerciais não públicas, como volumes e preços de mercadorias. Também havia receio de que os dados pudessem ajudar a acompanhar cargas militares transportadas por redes comerciais.
