Órgãos transplantados não permanecem na mesma “fase biológica” do doador e podem se adaptar a idade do receptor, segundo indica um novo estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. A descoberta foi publicada no servidor de pré-impressão bioRxiv, repositório aberto de pré-publicação direcionado à pesquisa biológica, e divulgada na última segunda-feira (28) na Revista Nature.
Segundo os cientistas, corações de doadores mais jovens envelhecem mais rápido quando transplantados para pessoas mais velhas. Por outro lado, órgãos de doadores idosos, ao contrário do que se esperava, podem apresentar sinais de rejuvenescimento ao serem colocados em organismos mais jovens.
Inicialmente, para testar a hipótese, os pesquisadores realizaram experimentos com camundongos de diferentes idades. Corações de animais jovens (3 meses) e mais velhos (de 1 a 1,67 anos) foram transplantados para receptores também pertencentes a outras faixas etárias.
Ao todo, foram analisados níveis de metilação do DNA em cerca de 320 mil regiões genéticas. A análise indicou que a idade biológica dos corações transplantados se aproximou da idade dos que receberam os órgãos.
O estudo foi conduzido por Jesse Poganik, especialista em envelhecimento da Universidade Harvard. “O mais notável é que encontramos exatamente os mesmos efeitos que vimos nos ratos”, disse Poganik à Nature.
